Eu queria que meus pés voltassem a tocar na Lua

Hoje eu sou apenas lembranças do que eu costumava ser. Ou errado, sou apenas resquícios do eu adorava viver. Meu sorriso se alastra falsamente feliz, minhas vontades se perdem a cada palavra e atitude que machuca. Hoje já não sei se corro ou fico imóvel, porque correr já se tornou inútil quando fugir já não é mais opção, quando correr apenas chama o que me dói. É como seu eu olhasse para trás e os chamasse: “vem, corram comigo, quero companhia”. Mas não. Se o que pensamentos atrai o que vivemos eu ando em uma falha constante nessa estrada que não acaba e me persegue. Meus pés já calejam, meu coração grita e minha sanidade se esconde com medo de ser afetada.

Eu só queria novamente andar sobre a Lua, sorrir e refletir seu brilho que tanto me fez menina com sonhos para quando fosse mulher. Hoje só sou a mulher que tipicamente tem suas batalhas incansáveis, e se eu olho para a Lua hoje é para questioná-la se elas um dia vão embora. Já pedi ao universo que mandasse um meteoro de luz que envolvesse toda a escuridão e transformasse-a em paz. Pedi ao cometa que me busque para uma volta no universo e me mostre de cima que ainda existe belezas e que eu devo enxergá-las. E pedi às estrelas que me cintilem mais durante as noites quando me traziam tantas histórias que eu já não dava conta de colocá-las no papel tendo apenas duas mãos e vinte e quatro horas no dia.

Eu só pedi de volta a paz e a alegria que rondavam meu coração que hoje esperneia agoniado diante de tanta fumaça. Eu só pedi para novamente tocar a Lua que me guiava, que os que me protegiam saíssem das coxias e voltassem para o palco, porque já não consigo mais dirigir e atuar sozinha esse meu show. Eu sinto que meus pés qualquer momento encontrarão a ponta do palco e cairão sobre a platéia que me assiste… porque eu já não consigo mais.

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De todos os anos, vinte e um invernos e uma vida inteira para concretizar tantos sonhos e anseios. De quatro estações, a mais fria é a que mais me aquece. De todas as artes, a escrita. De todos os lares, o coração. De todos os sentimentos, o amor.
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2 comments

  1. Eu estava assim, perdida. E é tão doloroso não se reconhecer.
    Sentir saudade de quem já foi e mesmo recordando, já não conseguir mais ser. Mas que bom que tem outro lugar para qual podemos seguir se não conseguirmos fazer o caminho de volta. A gente pode optar pelo caminho da frente e se buscar de um jeito novo, é só não se preocupar tanto, o que é nosso de fato, permanece.
    Lindo texto, a lua está em você ♥

    1. Obrigada Nay, somos Lua ♥

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B r u n n a  C o r r e i a 
De todos os anos, vinte e dois invernos e uma vida inteira para concretizar tantos sonhos e anseios. De quatro estações, a mais fria é a que mais me aquece. De todas as artes, a escrita. De todos os lares, o coração.

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